Sou da opinião que chegou a hora de aprendermos a pensar por nós mesmos, a buscar evidências, padrões, a descortinar o “sobre-natural” e descobrí-lo tão somente “super-natural”, à exemplo de Kardec.

O que me fez ser um admirador da obra de Allan Kardec, entre outras coisas, é sua metodologia e visão macro pragmática. Quando você estuda a obra do professor Hyppolyte, percebe que em nenhum momento sua intenção fora criar uma religião ou, em outras palavras, uma organização burocrática que se propusesse a reestabelecer a conexão dos homens com o divino através de um roteiro pré-definido de ritos, costumes, dogmas, atividades semanais e taxas dizimais. Kardec sempre se referia ao Espiritismo como movimento, filosofia e (minha definição predileta) ciência!

Isto porque o professor assumia a postura de observador de fenômenos “naturais”: identificava padrões, estabelecia parâmetros, metodologia, comparações e então, emitia uma conclusão que era fruto direto do estudo de diversos casos. Kardec era um cientista e acadêmico que ainda assim, incentivava os simpatizantes da nova ciência que mantivessem o senso crítico funcionando, que questionassem, que buscassem ler e se inteirar sobre as críticas que se faziam ao espiritismo para então, tirar suas próprias conclusões.Ele os incentivava a emancipação de raciocínios próprios! Um verdadeiro pesadelo para qualquer líder religioso fundamentalista.

O Data Limite nos fez rodar uma boa parte do Brasil e conhecer muita gente boa, muita gente séria que se dedica à propagação desta realidade absolutamente incrível, decodificada pelo professor francês. Mas também me fez conhecer muita gente doida, que delira realidades, alucina aparições e manifesta mediunidades estranhas que fazem o bom e velho Freud chacoalhar no túmulo. Me fez conhecer um bom punhado de pessoas as quais não são extraterrestres, espíritos ou qualquer tipo de entidade que os colocarão no rumo, senão um bom psiquiatra e quem sabe umas boas tarjinhas pretas.

Outro dia mesmo, demos uma palestra para um grupo restrito de pessoas aqui em São Paulo, e a dona da casa que nos acolheu, após alguns minutos de conversa no final da noite, virou para nós e disse: “Nossa, vocês falam todas essas coisas interessantes e surreais… mas até que vocês parecem bem normais”(risos). E eu perguntei: “Por quê? As outras pessoas que você conheceu não são?”. “NEM UM POUCO” retrucou ela.

Tem gente delirando. Tem gente alucinando. Vendo o que quer ver e se colocando como profeta espiritual de um pequeno grupo de desinstruídos emotivos que tendem a seguir qualquer asneira que se diga em português arcaico para aliviar os próprios sofrimentos e buscar algum consolo, o que é de um mau gosto absurdo. Como se já não bastassem os pastores midiáticos que fazem escambos espirituais em nome de deus.

Ligue a sua televisão, e veja o que a religião fez com o nosso mundo: decapitações públicas em rede mundial, guerras, etnocentrismos, chacinas, massacres, intolerância, mutilações. Gente que se diz falar em nome de alguém maior, conduzindo milhares à lugar algum.

Sou da opinião de que a religião já cumpriu o seu papel histórico neste planeta de nos trazer até este momento no tempo, e que agora pode pegar o seu banquinho e sair de cena. Sou da opinião que chegou a hora de aprendermos a pensar por nós mesmos, a buscar evidências, padrões, a descortinar o “sobre-natural” e descobrí-lo tão somente “super-natural”, à exemplo de Kardec. Chico Xavier disse no Pinga-Fogo em 1971 que nós veríamos a chegada de uma era onde a CIÊNCIA descortinaria para nós um universo imenso de possibilidades. Ele não disse que seria um papa, um líder espiritual, ou coisa do tipo. Ele disse “a ciência”. Depois de tudo o que vi no Data Limite, eu gosto de farejar e seguir os rastros de Chico e me aprofundar nas suas opiniões, buscar contextualiza-las.

A nossa ciência está começando a se voltar para a transcendental realidade na qual todos estamos mergulhados. Seu pragmatismo, metodologia e grandes mentes são um legado essencial que agora vem sendo aplicado para desvendar questões mais fundamentais de nossa existência. Mas isso não é suficiente. É preciso que cada um de nós se torne cientista de suas próprias experiências. É preciso que cada um de nós encontre mais razão em meio a tantas abstrações e elucubrações. Nós dizemos por onde vamos: O documentário Data Limite não veio trazer respostas. Ele veio para trazer mais perguntas. Perguntas que não podem ser evitadas. Que devem ser investigadas e submetidas ao alto crivo da razão científica.

Nós precisamos de mais fatos comprovados cientificamente, e menos dogmas religiosos que não toleram porquês. A espiritualidade é real. A vida em nosso universo é real. A força da mente humana é real. Tudo isso é maravilho, beira o “sobrenatural”, mas deve ser estudado e novamente decodificado ao nível das coisas “naturais”. Eu penso que com uma postura assim, nos emanciparemos enquanto civilização do universo e alcançaremos uma espiritualidade tangível, que provocará em nós a experiência da realidade integral, na qual todos existimos.

Sempre avanti! Que questo é il piú importante!
Juliano Pozati

Juliano Pozati

Author Juliano Pozati

JULIANO POZATI É ESCRITOR, DOCUMENTARISTA E ENTUSIASTA DE NOVAS IDEIAS QUE INSPIREM A QUEBRA DE PARADIGMAS OBSOLETOS NAS ÁREAS DA ESPIRITUALIDADE, CIÊNCIA, FILOSOFIA E UFOLOGIA.

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